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O usufruto, a sua transcrição e extinção PDF Imprimir E-mail
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Doutrina - Direito Civil

Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

 

Em consulta, um consulente separado judicialmente informou que havia feito uma doação de dois imóveis de sua propriedade para a filha adotiva casada, com cláusula de usufruto. Hoje, ele é casado novamente e quis saber se a atual esposa poderia usufruir dos dois imóveis com o seu falecimento.

Esclarece o missivista que há uma declaração da filha em questão, e respectivo esposo, autorizando o usufruto da mulher dele nos referidos imóveis, após a morte dele. Indagou, ainda, se esse documento tem valor.

O instituto do usufruto está disciplinado pelo Código Civil, em seu capítulo IV, artigos 713 a 741. Dispõe o art. 739 que o usufruto extingue-se pela morte do usufrutuário, dentre outras causas enumeradas por aquele dispositivo.

Comentando esse ponto, Carvalho Santos, expressa que "o usufruto deve Ter necessariamente fim. O seu traço característico é a temporariedade. Pelo que não pode, em absoluto, Ter duração indefinida, sendo fatal, ao invés, o seu término por uma das causas neste artigo enumeradas. O máximo que se pode prolongar é até a morte do usufrutuário." (grifos da transcrição).

Ensina, ainda, o ilustre Carvalho Santos, em sua obra, "Código Civil Brasileiro Interpretado", que:

"... o usufruto, no sistema do nosso Código, não pode ser constituído para perdurar após a morte do usufrutuário e como se trata de uma norma de ordem pública não é lícito ao instituidor alterá-la dispondo em contrário passe o usufruto a ser gozado pelos herdeiros do morto." (grifamos)

Assim, com o falecimento do usufrutuário, o usufruto extingue-se, por disposição expressa da lei que disciplina a matéria. Não há que falar, então, em prolongamento do usufruto após a morte do usufrutuário.

A outra parte da consulta, refere-se a uma declaração particular da donatária autorizando a continuidade do usufruto, com a morte do usufrutuário. Nesse aspecto, é claro o estatuído pelo art. 715 do Código Civil, exigindo a transcrição de usufruto de imóveis, no registro respectivo, excetuando - o que não é o caso da consulta - o resultante do direito de família.

Comentando esse dispositivo, Carvalho Santos, ensina: "Ainda aqui o Código segue a regra geral, segundo a qual não admite transferência de bens imóveis nem a constituição de direitos reais imobiliários sem a transcrição ou inscrição no registro."

Continua o jurista: "Depois de estabelecer a regra, firma aqui a exceção, dispensando o registro do usufruto, ainda que sobre imóveis, se resultar do direito de família."

"O usufruto resulta do direito de família: a) quando se trata do pai sobre os bens do filho menor; b) ou o do marido sobre bens da mulher, quando lhe couber esse direito pelo regime do casamento (arts. 260, I, 262, 265, 271, V, 289, II)."

Logo, a declaração particular não teria valor jurídico, primeiro, porque com o falecimento o usufruto se extingue e, segundo, porque tal documento não se reveste, para o fim a que se destina, da exigência contida no referido art. 715 do Código Civil.

 

 
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