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O juiz Antônio Aurélio Abi Ramia Duarte, da 12ª Circunscrição do Registro Civil de Pessoas Naturais (RCPN), realizou na manhã desta sexta-feira, dia 17, um mutirão para autorizar o sepultamento de um total de 21 corpos "esquecidos" no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Além do magistrado, participaram da ação a promotora Nélia Nahid, a diretoria do hospital e funcionários do cartório. A maior parte dos cadáveres é de pessoas reconhecidas pela família, mas que foram deixadas nas dependências da unidade devido ao alto custo dos sepultamentos. "As pessoas carentes desconhecem que é possível realizar o enterro dos seus familiares de forma gratuita junto à Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro", explicou o juiz. A medida foi tomada depois que o juízo foi comunicado pela nova direção do hospital que seu necrotério, que tem capacidade para abrigar 18 cadáveres, estava sobrecarregado. Além disso, outro fator fundamental foi o perigo de contaminação dos demais setores da unidade, principalmente alas próximas, como o centro cirúrgico, a UTI e o setor de alimentação. "A Comissão de Infecção Hospitalar do Lourenço Jorge nos alertou para o perigo que corriam funcionários e pacientes com a existência de tantos corpos no local. A propagação de microorganismos é intensa e o odor muito forte", afirmou a diretora médica Denize Monteiro, contando que há corpos esperando por um enterro desde 2005. Sem contar o risco iminente de contaminação, o juiz Ramia Duarte acredita que o sepultamento desses corpos se tornou uma obrigação do Poder Público. Para ele, que em 48 horas conseguiu autorizar 21 sepultamentos - seis autorizações na quarta-feira e outras 15 hoje - , também é um dever do Estado proporcionar um fim digno para as pessoas. "Através da união entre a Magistratura, o Ministério Público e a direção do hospital conseguimos lograr êxito e destinar um fim digno e respeitável a estas 21 pessoas. Vamos sepultá-las com a dignidade que elas merecem. Resta a questão social, de conscientizar a população a respeitar seus entes perdidos", ressaltou. O novo diretor geral do hospital, Francisco Matheus, disse que a iniciativa é muito bem-vinda, já que esse era um problema que atrapalhava o funcionamento da unidade. Segundo Matheus, a união de esforços com o Tribunal para resolver a questão foi essencial. "Mapeamos tudo o que tinha que ser resolvido no hospital e detectamos esse problema. Com a ajuda do juízo, haverá um fluxo para regularizar essa situação e impedir que ela ocorra novamente". Fonte: TJRJ
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